10 de abr. de 2011
30 de mar. de 2011
Nebula
Alto, alto, prédios rodopiam, distantes
guerreiam os pequenos e os grandes
sede de fogo, começar de novo
das cinzas
devaneios
Avistamo-nos, a multidão delirante
a casa,a velha, mulher e a moça
qual passaro descendo vertigo
ao ninho
antigo
A moça, velha em mágoa e escárnio
a velha sábia na decrépita juventude
na multidão me esquivo grato
na noite
sozinho
Noutro refúgio do que fui outrora, agora
o tempo opera desatino destino
água e terra entremeio indômito
da janela
me rio
Na sala, presente, estranho, alheio
no entanto tudo ali é parte de mim
sinto o mover do infinito
memória
olvido
E nada ali me pertence mais, engano
se é que já me pertenceram um dia
tudo se passa na calada ausência
sonho desperto
alívio
27 de mar. de 2011
Amante
Em sua figura imponente
uma temível máscara de batalha:
feições ferozes e bestiais
de azul escuro quase negro
grande bico a frente e a baixo
cabelo negro ao alto e a trás.
punhal oculto caminhos muitos
mas quando a fúria do ordinário é tamanha
ela se lança em batalha de ímpeto sem par
revelando a carne de perto
desata escarlate torrente
a dançar sobre o veludo e asfalto
ao seu mero prazer bel deviante
Ao repousar o corpo, desejo
se esvai em curvas mais suaves
ali reclinada sobre a esteira
sem sua face outrora ferina
sem couraça bico ou crina
revela os olhos de amazona
traços de beleza feminina
e no rosto o sorriso primal
cúmplices e confidentes
cúmplices e confidentes
1 de mar. de 2011
Cerne
Desvelando o cavalgar adormecido
Por entre as brumas das estações
Se entremeando nas frestas da matéria
Cravado em seu olho metálico reluzente
A partir do padrão do coração ardente
Se deitam os óleos dos ancestrais
Que na mente eletrônica se transmuta
Na figura fantástica do infinito
Por entre as brumas das estações
Se entremeando nas frestas da matéria
Cravado em seu olho metálico reluzente
A partir do padrão do coração ardente
Se deitam os óleos dos ancestrais
Que na mente eletrônica se transmuta
Na figura fantástica do infinito
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28 de fev. de 2011
Salto
- A água ruge abaixo, correndo lépida a seu destino, que não poderia ser outro senão um lugar mais baixo, como é natural.
Claro, nada mais natural, o rumo ao inferior, descendente, lenta ou rapidamente, não importa, mas sem se deter jamais, para baixo. E se por vezes sobe, isso nada mais é do que um contratempo, uma distração perante o inevitável. Se ao final de tudo, isso não fizer mais sentido, então estará bem assim. Então subir, descer, ir para qualquer lado, será indiferente.
- Mas agora, a que é chamada gravidade faz seu papel, e o escorrer serpenteante escava os desfiladeiros que trazem a vertigem pela sua mera contemplação.
Mas a contemplação não basta, e a água convida com seu canto enfurecido de eras de trabalho paciente, resultando num sulco reverberante belamente esculpido nos tons multicolores das rochas.
- Do alto, ela contempla a água abaixo. À distância, ele a observa e a segue. As vezes, o caminho os leva para cima, mas seguem, ambos, para baixo, como é natural. Ela o precede, e a água, em sua sabedoria, os precede a ambos.
- É um longo caminho para baixo.
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