Água mole em pedra dura
Bate e segue seu caminho
Até que tudo se misture
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16 de jul. de 2011
5 de jul. de 2011
Pathétique
No jardim impalpável da noite fria
Te agasalhas em pétalas transmutadas
Em visão ali tão rara rosa
A encontro entre as cenas vislumbradas
Do céu e da terra em doce epifania
Em silêncio me quedo ao teu lado
Sutil anelo em contemplar teus traços
E tão sem demora, rosa
Que me perco em tempos e espaços
Sonhos em que brinco acordado
Segue a vida a sempiterna via
A que sorri em teus olhos cândida luz
São em ti tão clara rosa
Lumes delicados que a aurora fazem jus
E até me esqueço que anoitecia
Por teus mistérios eis me aqui
A saber o que há em teus caminhos
Sinto em ti tão cara rosa
Doces perfumes, e mesmo espinhos
E ao teu néctar vôo qual colibri
Oh, tu de muitas cores vestida
Desabrochamos ambos em desatinos
Também tu fulguras rosa
No efêmero encontro de nossos destinos
Um cálido enlace d´alma despida
Te agasalhas em pétalas transmutadas
Em visão ali tão rara rosa
A encontro entre as cenas vislumbradas
Do céu e da terra em doce epifania
Em silêncio me quedo ao teu lado
Sutil anelo em contemplar teus traços
E tão sem demora, rosa
Que me perco em tempos e espaços
Sonhos em que brinco acordado
Segue a vida a sempiterna via
A que sorri em teus olhos cândida luz
São em ti tão clara rosa
Lumes delicados que a aurora fazem jus
E até me esqueço que anoitecia
Por teus mistérios eis me aqui
A saber o que há em teus caminhos
Sinto em ti tão cara rosa
Doces perfumes, e mesmo espinhos
E ao teu néctar vôo qual colibri
Oh, tu de muitas cores vestida
Desabrochamos ambos em desatinos
Também tu fulguras rosa
No efêmero encontro de nossos destinos
Um cálido enlace d´alma despida
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4 de jul. de 2011
Sonho
Nas alamedas da cidade inexistente
que só do outro lado se encontra
o ser ancestral liberto
regozija-se em mar aberto
junta-se a multidão sem conta
e nadam miríades de seres viventes
Então vagando pelos jardins suspensos
deito-me a beira da grande marquise
em um deleite absorto
indiferente ao certo e incerto
que só a brisa suave a relva alise
e ali nada mais existe de tão imenso
Eis que ela se aproxima vagarosamente
sorrindo, para se unir a gentil sinfonia
e deita-se por perto
o prazer redescoberto
de sentir a vida em sutil sintonia
eternidade apenas, momento presente.
que só do outro lado se encontra
o ser ancestral liberto
regozija-se em mar aberto
junta-se a multidão sem conta
e nadam miríades de seres viventes
Então vagando pelos jardins suspensos
deito-me a beira da grande marquise
em um deleite absorto
indiferente ao certo e incerto
que só a brisa suave a relva alise
e ali nada mais existe de tão imenso
Eis que ela se aproxima vagarosamente
sorrindo, para se unir a gentil sinfonia
e deita-se por perto
o prazer redescoberto
de sentir a vida em sutil sintonia
eternidade apenas, momento presente.
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3 de jul. de 2011
Inferno
Exalam suspiros ao cair da tarde
Ignoram os signos, a serpente e a faca
Então teus servos constroem três casas
Nelas as paredes têm olhos e ouvidos
Quartos solitários, caminhos ocultos
Os túneis fedem venenos e sacramentos
E os mortos governam das profundezas
Lágrimas correm ao chegar a noite
Quando traiçoeira a porta se tranca
Aleijados e mudos, seus servos sufocam
Seduzidos por teus lábios vermelhos
Enganados por teus hábeis conselhos
Prostrados, reverenciam-te de joelhos
Tuas enluvadas mãos já não tocam
Na hora das trevas vem o desespero
Quando enfim ela revela sua face branca
Em fúria e loucura se agitam os gatos
Até mesmo a lua se esconde no céu
O sangue escorre manchando o véu
É então que o fogo cumpre seu papel
E tua carne viva é comida por ratos
E mais uma volta a roda segue girando
E aquilo a que dizes fortuna ou desgraça
São linhas que as três seguem tramando
Aos meros caprichos a questão que se faça
Quais são os sonhos que sustentam o alento
E quiça fora do tempo, ao levantar do pano
Compondo a visão da engrenagem do eterno
Vivam os deuses e demônios no coração humano
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28 de jun. de 2011
Macacos, Dancem!
Sobre a terra caminhamos
via poeirenta na curva do tempo
assomam alto os poderes soberanos
sobre os germes crescendo em tormento
Em marcha imóvel rumo ao sol
elas estendem-se certas de sua sina
mesmo a noite, a chuva em frio lençol
cobrindo rio, estrada e colina.
Brilha o farol no escuro atroz
e o ronco metálico fere o vento
o macaco descuidado vai veloz
ignorando a dor ou sofrimento.
Macacos dancem, macacos, dancem
Macaco deixe crescer também
Macacos nascem, macacos morrem
Macaco sozinho não é ninguém
Macacos andam, macacos correm
Macaco até lá no céu já tem
Macacos compram, macacos vendem
Macaco não vale um vintém
Macacos rezam, e dizem amém
Pro deus macaco no além.
Finda a noite em chuva forte
Lá vai correndo macaco pra casa
Pois frágil e a merce da sorte
É de fato sua pobre carcaça.
Você que vive aqui agora
Pense bem no que você fez
Aprende macaco não demora
Que a roda gira outra vez.
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via poeirenta na curva do tempo
assomam alto os poderes soberanos
sobre os germes crescendo em tormento
Em marcha imóvel rumo ao sol
elas estendem-se certas de sua sina
mesmo a noite, a chuva em frio lençol
cobrindo rio, estrada e colina.
Brilha o farol no escuro atroz
e o ronco metálico fere o vento
o macaco descuidado vai veloz
ignorando a dor ou sofrimento.
Macacos dancem, macacos, dancem
Macaco deixe crescer também
Macacos nascem, macacos morrem
Macaco sozinho não é ninguém
Macacos andam, macacos correm
Macaco até lá no céu já tem
Macacos compram, macacos vendem
Macaco não vale um vintém
Macacos rezam, e dizem amém
Pro deus macaco no além.
Finda a noite em chuva forte
Lá vai correndo macaco pra casa
Pois frágil e a merce da sorte
É de fato sua pobre carcaça.
Você que vive aqui agora
Pense bem no que você fez
Aprende macaco não demora
Que a roda gira outra vez.
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10 de abr. de 2011
30 de mar. de 2011
Nebula
Alto, alto, prédios rodopiam, distantes
guerreiam os pequenos e os grandes
sede de fogo, começar de novo
das cinzas
devaneios
Avistamo-nos, a multidão delirante
a casa,a velha, mulher e a moça
qual passaro descendo vertigo
ao ninho
antigo
A moça, velha em mágoa e escárnio
a velha sábia na decrépita juventude
na multidão me esquivo grato
na noite
sozinho
Noutro refúgio do que fui outrora, agora
o tempo opera desatino destino
água e terra entremeio indômito
da janela
me rio
Na sala, presente, estranho, alheio
no entanto tudo ali é parte de mim
sinto o mover do infinito
memória
olvido
E nada ali me pertence mais, engano
se é que já me pertenceram um dia
tudo se passa na calada ausência
sonho desperto
alívio
27 de mar. de 2011
Amante
Em sua figura imponente
uma temível máscara de batalha:
feições ferozes e bestiais
de azul escuro quase negro
grande bico a frente e a baixo
cabelo negro ao alto e a trás.
punhal oculto caminhos muitos
mas quando a fúria do ordinário é tamanha
ela se lança em batalha de ímpeto sem par
revelando a carne de perto
desata escarlate torrente
a dançar sobre o veludo e asfalto
ao seu mero prazer bel deviante
Ao repousar o corpo, desejo
se esvai em curvas mais suaves
ali reclinada sobre a esteira
sem sua face outrora ferina
sem couraça bico ou crina
revela os olhos de amazona
traços de beleza feminina
e no rosto o sorriso primal
cúmplices e confidentes
cúmplices e confidentes
1 de mar. de 2011
Cerne
Desvelando o cavalgar adormecido
Por entre as brumas das estações
Se entremeando nas frestas da matéria
Cravado em seu olho metálico reluzente
A partir do padrão do coração ardente
Se deitam os óleos dos ancestrais
Que na mente eletrônica se transmuta
Na figura fantástica do infinito
Por entre as brumas das estações
Se entremeando nas frestas da matéria
Cravado em seu olho metálico reluzente
A partir do padrão do coração ardente
Se deitam os óleos dos ancestrais
Que na mente eletrônica se transmuta
Na figura fantástica do infinito
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28 de fev. de 2011
Salto
- A água ruge abaixo, correndo lépida a seu destino, que não poderia ser outro senão um lugar mais baixo, como é natural.
Claro, nada mais natural, o rumo ao inferior, descendente, lenta ou rapidamente, não importa, mas sem se deter jamais, para baixo. E se por vezes sobe, isso nada mais é do que um contratempo, uma distração perante o inevitável. Se ao final de tudo, isso não fizer mais sentido, então estará bem assim. Então subir, descer, ir para qualquer lado, será indiferente.
- Mas agora, a que é chamada gravidade faz seu papel, e o escorrer serpenteante escava os desfiladeiros que trazem a vertigem pela sua mera contemplação.
Mas a contemplação não basta, e a água convida com seu canto enfurecido de eras de trabalho paciente, resultando num sulco reverberante belamente esculpido nos tons multicolores das rochas.
- Do alto, ela contempla a água abaixo. À distância, ele a observa e a segue. As vezes, o caminho os leva para cima, mas seguem, ambos, para baixo, como é natural. Ela o precede, e a água, em sua sabedoria, os precede a ambos.
- É um longo caminho para baixo.
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