13 de out. de 2011
11 de out. de 2011
Flores da Primavera
Todo dia, ou quase todo dia
eu a vejo ali, esperando
sempre ali, cedo, e só
não sei mais de sua vida
só o breve vislumbre
de uma vida
dentre tantas outras
Seu olhar a cada dia
ou quase a cada dia
se põe sempre mais triste
se será pelo dia enfadonho que a espera
ou pela noite sem sonhos que deixa para trás
Seguindo, nas escolas, como presídios
as crianças esperam serem soltas
percalços de infância violentada
canta a canção
ei, professores, deixem as crianças em paz
já foi criança também
e ainda o é
criança ferida e irrealizada
mas ainda é assim
hoje, como ontem
perpetuando castigo por crime algum
As estações seguem seu rumo
mas parece que não a humanidade
como se algo a segurasse ainda
estagnada em suas memórias inventadas
de um sonho de alegria, sempre depois
É primavera
você poderia agora
estar colhendo as flores da primavera
mas não
Sorri, enquanto faz seu trabalho
infeliz trabalho
sustento falho
de alma sempre abortada
do que poderia ser seu sorriso
do que poderia realizar de sonhos
resta apenas
o que se pode sonhar, lembrança
nostalgia
do tempo em que tudo eram possibilidades
e o faz de conta, um brincar de crescer
e ser hoje o que pode ser amanhã
ou que pode jamais ser
pela sua natureza de sonho
mas sonhar mesmo assim
Daí que agora sonham por nós
e nos vendem os sonhos pasteurizados
da casa, carro, casal e filhos
e dinheiro, claro
Desde pequenos
que é de pequeno que se entorta o pepino
e pepinos tortos vemos
crescidos em caricaturas
versões incompletas
sombras
de homens e mulheres
beleza e deslumbre
caminhando sem medo e sem culpa sobre a terra
de crianças de sorriso fácil e mente viva
desabrochando como as flores na primavera
amadurecendo frutos prenhes
soltando as sementes ao fim
que é o começo de novo
simples, só
simples assim
eu a vejo ali, esperando
sempre ali, cedo, e só
não sei mais de sua vida
só o breve vislumbre
de uma vida
dentre tantas outras
Seu olhar a cada dia
ou quase a cada dia
se põe sempre mais triste
se será pelo dia enfadonho que a espera
ou pela noite sem sonhos que deixa para trás
Seguindo, nas escolas, como presídios
as crianças esperam serem soltas
percalços de infância violentada
canta a canção
ei, professores, deixem as crianças em paz
já foi criança também
e ainda o é
criança ferida e irrealizada
mas ainda é assim
hoje, como ontem
perpetuando castigo por crime algum
As estações seguem seu rumo
mas parece que não a humanidade
como se algo a segurasse ainda
estagnada em suas memórias inventadas
de um sonho de alegria, sempre depois
É primavera
você poderia agora
estar colhendo as flores da primavera
mas não
Sorri, enquanto faz seu trabalho
infeliz trabalho
sustento falho
de alma sempre abortada
do que poderia ser seu sorriso
do que poderia realizar de sonhos
resta apenas
o que se pode sonhar, lembrança
nostalgia
do tempo em que tudo eram possibilidades
e o faz de conta, um brincar de crescer
e ser hoje o que pode ser amanhã
ou que pode jamais ser
pela sua natureza de sonho
mas sonhar mesmo assim
Daí que agora sonham por nós
e nos vendem os sonhos pasteurizados
da casa, carro, casal e filhos
e dinheiro, claro
Desde pequenos
que é de pequeno que se entorta o pepino
e pepinos tortos vemos
crescidos em caricaturas
versões incompletas
sombras
de homens e mulheres
beleza e deslumbre
caminhando sem medo e sem culpa sobre a terra
de crianças de sorriso fácil e mente viva
desabrochando como as flores na primavera
amadurecendo frutos prenhes
soltando as sementes ao fim
que é o começo de novo
simples, só
simples assim
.
3 de out. de 2011
Sól
Fulminante, o destruidor
Que não deixou nada que não fosse eu
E tudo era eu
E todo desabei
Só agora sou
Só o que sobrei
Assentado aos pés do que não era meu
E tudo sou eu
O imperador
Fogo, fogo ao meu redor
E não há medo que não seja um véu
Olhei, e era céu
E ali chorei
E estrelas e chuva gerei
Flores e frutos, tão doces quanto mel
Mas nada era meu
Nada era eu
Eu, criador
Que não deixou nada que não fosse eu
E tudo era eu
E todo desabei
Só agora sou
Só o que sobrei
Assentado aos pés do que não era meu
E tudo sou eu
O imperador
Fogo, fogo ao meu redor
E não há medo que não seja um véu
Olhei, e era céu
E ali chorei
E estrelas e chuva gerei
Flores e frutos, tão doces quanto mel
Mas nada era meu
Nada era eu
Eu, criador
.
Bate no Peito, História
Persistindo, ainda
E por que não persistiria?
O que os plásticos não sufocam
é o que resta para a derradeira
Mas ainda assim, a trocam
por bela caixa de madeira
Segue, oh tolo imprudente
Que não resta outro caminho
Segue ainda que sozinho
Até que esteja presente
Respirando, ainda
E por que desistiria?
E que não haja perspectiva
que importa fama ou glória?
Pois ainda pulsa, a alternativa
clama no peito a força, história
Segue, oh tolo, e sentes
A sua frente estão caminhos
De ferro, fogo e passarinhos
Pra terra somos sementes
Sonhando, ainda
E por que acordaria?
O que não seja coerente
é que move além do ordinário
Pois, se fecha a corrente
vazia, contém o imaginário
E por que não persistiria?
O que os plásticos não sufocam
é o que resta para a derradeira
Mas ainda assim, a trocam
por bela caixa de madeira
Segue, oh tolo imprudente
Que não resta outro caminho
Segue ainda que sozinho
Até que esteja presente
Respirando, ainda
E por que desistiria?
E que não haja perspectiva
que importa fama ou glória?
Pois ainda pulsa, a alternativa
clama no peito a força, história
Segue, oh tolo, e sentes
A sua frente estão caminhos
De ferro, fogo e passarinhos
Pra terra somos sementes
Sonhando, ainda
E por que acordaria?
O que não seja coerente
é que move além do ordinário
Pois, se fecha a corrente
vazia, contém o imaginário
.
28 de set. de 2011
The Gift of Sound and Vision
Busco o alto, em muros, telhados
Pelos galhos das árvores e calhas e lages
Sou como visão do gambá ancestral
De modos de lua e olhos de sol
Busco o escuro e os cantos molhados
Por musgos, samambaias e vasos e telhas
Sou como tentáculo da antiga espiral
Eternidade presente de caracol
Alternam perenes os claros e escuros
Por sons, de luzidias cendelhas
Sou o guardião da canção celestial
A vibração do gongo, o farol
Oh Fonte, Luz Sombria
Que a Eternidade Entretem
Oh Silenciosa Sinfonia
Ressona Existência e Além
Pelos galhos das árvores e calhas e lages
Sou como visão do gambá ancestral
De modos de lua e olhos de sol
Busco o escuro e os cantos molhados
Por musgos, samambaias e vasos e telhas
Sou como tentáculo da antiga espiral
Eternidade presente de caracol
Alternam perenes os claros e escuros
Por sons, de luzidias cendelhas
Sou o guardião da canção celestial
A vibração do gongo, o farol
Oh Fonte, Luz Sombria
Que a Eternidade Entretem
Oh Silenciosa Sinfonia
Ressona Existência e Além
.
24 de set. de 2011
A Batalha
A eternidade feroz que me acompanha sempre
para onde quer que eu vá
Me fere eu a firo, de morte
mas ela sempre estará lá
Um oponente atroz sempre astuto e valente
em um embate sem trégua
Lhe perfuro o peito, ele cai
e novo sempre levantará
Nos olhos escuros brilha a chama, a força
gentil segura e perene
Sem medo, suave consorte
para onde quer que eu vá
Me fere eu a firo, de morte
mas ela sempre estará lá
Um oponente atroz sempre astuto e valente
em um embate sem trégua
Lhe perfuro o peito, ele cai
e novo sempre levantará
Nos olhos escuros brilha a chama, a força
gentil segura e perene
Sem medo, suave consorte
fria domina a vida e morte
.
23 de set. de 2011
Mistério
Procura, questiona, mas não pode encontrar
proíbe, com medo, o que não há de cessar
A ira desperta, mas já não há o que fazer
o que quer comigo não tenho, mas veja
se de fato deseja, pois cresce por todo lugar.
Ao chegarem, afoitos, insensíveis e brutos
pisoteiam a delicadeza que brota aqui e ali
Então, oculto o que há de mais precioso
seus sentidos nebulosos deixam passar
o que mesmo diante dos olhos poderia estar.
Aquilo de que precisa (ou crê que precisa)
lhe incutiram com muito engano e malícia
De seu galardão impalpável está certo
diante do altar são tantas promessas
segue com gana, vivendo as avessas
Entre telhados e muros por vezes ela cresce
nos recônditos espaços também aparece
Mas até que a bruma noturna esclareça
aquilo que a luz do dia tem por devaneio
que não haja receio, enfim, que irá perdurar?
Então pare, se demore um pouco
espere, uns instantes que seja
momentos apenas, nada mais
e decerto o tempo te mostrará
o que a vida toda esteve a buscar
proíbe, com medo, o que não há de cessar
A ira desperta, mas já não há o que fazer
o que quer comigo não tenho, mas veja
se de fato deseja, pois cresce por todo lugar.
Ao chegarem, afoitos, insensíveis e brutos
pisoteiam a delicadeza que brota aqui e ali
Então, oculto o que há de mais precioso
seus sentidos nebulosos deixam passar
o que mesmo diante dos olhos poderia estar.
Aquilo de que precisa (ou crê que precisa)
lhe incutiram com muito engano e malícia
De seu galardão impalpável está certo
diante do altar são tantas promessas
segue com gana, vivendo as avessas
Entre telhados e muros por vezes ela cresce
nos recônditos espaços também aparece
Mas até que a bruma noturna esclareça
aquilo que a luz do dia tem por devaneio
que não haja receio, enfim, que irá perdurar?
Então pare, se demore um pouco
espere, uns instantes que seja
momentos apenas, nada mais
e decerto o tempo te mostrará
o que a vida toda esteve a buscar
.
Haiku II
Fim de tarde, o Sol enrubesce
a Lua aparece, faceira
e as estrelas descem a brincar no capinzal
8 de set. de 2011
"Esses relógio são meus objetos de estimação. São apenas uma imitação muito imperfeita de algo que cada ser humano tem no peito. Pois, assim como vocês têm olhos para enxergar a luz, ouvidos para ouvir sons, também têm um coração para perceber o tempo. Todo o tempo que não é percebido pelo coração é tão desperdiçado quanto seriam as cores do arco-íris para um cego ou o canto de um pássaro para um surdo."
Michael Ende, em "Momo e o Senhor do Tempo"
Normalmente não posto material que não seja de minha autoria, mas para esse trecho abri uma exceção.
18 de ago. de 2011
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